Fafe, 25 de abril de 2015

Cerimónia da Entrega do Prémio A. Lopes de Oliveira

A cerimónia de entrega do Prémio A. Lopes de Oliveira ocorreu no dia 25 de abril de 2015, no âmbito da sessão solene comemorativa da efeméride, no Teatro Cinema de Fafe.

 

Intervenção de agradecimento

As forças políticas representativas do concelho de Fafe celebraram, no Teatro-Cinema da cidade, a Sessão solene evocativa da Revolução dos cravos. Para além da cerimónia da efeméride, fazia parte do programa a entrega de vários prémios, entre os quais, o prémio literário A. Lopes de Oliveira/CMF que o advogado e mestre Martins de Freitas venceu com o livro João de Araújo Correia – Cronista das Gentes do Douro. O prémio e diploma foram-lhe entregues pelo Sr. Presidente da Assembleia Municipal, Dr. Laurentino Dias. Para agradecer foi concedida a palavra ao Dr. Martins de Freitas, que dirigindo-se à Mesa de Honra e à Assistência, proferiu a seguinte alocução:

Agradeço à Câmara Municipal de Fafe o ter-me atribuído o Prémio A. Lopes de Oliveira, que é, realmente, valioso pela competência e categoria do Júri que o seleccionou.

Apresento os meus sinceros parabéns aos outros vencedores:  escritor Daniel Bastos e José Pedro Fernandes, autores da obra Fafe. História Memória e Património.

O livro João de Araújo Correia – Cronista das Gentes do Douro resultou da aprovação da minha tese de mestrado na Universidade de Trás os Montes e Alto Douro. Mas, ele ficou enriquecido com as cento e dez fotografias introduzidas e as múltiplas revisões: uma do Prof. Orientador, outra dum Prof. Examinador e as minhas próprias em número de cinco!

Exercendo, como exerço a advocacia na Régua, o Mestrado foi um desafio que se me impôs e de cuja pertinácia resultou o livro que teve a felicidade deste prémio.

Com o livro pretendi não só divulgar João de Araújo Correia, notável contista e cronista do Douro, mas também fixar a identidade duriense, abordando, no corpus estudado, a história, a memória e o património cultural da região do Douro, com destaque para o concelho do Peso de Régua.

João de Araújo Correia foi um camilianista fervoroso e o primeiro livro que leu, pelos 7 ou 8 anos, foi o romance “Mistérios de Fafe” do imenso Camilo. Vejam como Araújo Correia esteve ligado à Vossa terra! A partir de hoje, tenho eu também a subida honra de ficar ligado à Cidade de Fafe, pela marca que o prémio me deixará enquanto viver!

Quanto ao patrono do prémio, Américo Lopes de Oliveira, não devo falar muito, pois os Senhores sabem muito mais dele do que eu. Para mim, ele tinha um saber enciclopédico e grande probidade na investigação. Dele li “Como Trabalham os Nossos Escritores” um livro de inquéritos, onde entrevista, entre outros, António Guedes de Amorim, escritor natural de Sedielos – Peso da Régua. Acompanhei crónicas suas no Noticias do Douro, Semanário da Régua, entre elas, as dedicadas ao Prof. Dr Vergilio Correia, Arqueólogo e Critico de Arte e ao Poeta Hamilton de Araújo, ambos naturais da Régua, por ocasião do centenário dos respectivos nascimentos.

Lopes de Oliveira, jornalista e escritor, conhecia, não sei se pessoalmente, mas, pelo menos, pela escrita, João de Araújo Correia a ponto de elaborar uma crítica literária na Revista de Espiritualismo, em 1939, ao “Sem Método – Notas Sertanejas” a estreia literária do escritor duriense.

Para terminar, tenho aqui essa crítica, que é só uma folha, e que gostaria de partilhar com todos os presentes se me deixarem e ainda tiver tempo.

Manuel Joaquim Martins de Freitas